sábado, 26 de abril de 2008

"Quem crê em JESUS tem a vida eterna"

Texto Bíblico
João 4 e 5
Texto áureo
João 4:13,14


Nestes dois capítulos de estudo desta lição, Jesus chama atenção para a missão que veio realizar no mundo. No capítulo 4, dos versículos 31 a 38, e no capítulo 5, dos versículos 19 a 47, ele explana, claramente, o ministério que veio cumprir como Filho de Deus e Redentor dos homens. Em meio a estes discursos, três acontecimentos de marcante importância, ainda que distantes, geograficamente, um do outro: a conversão de uma aldeia samaritana (Sicar), e duas curas miraculosas, a do filho de um oficial do rei em Caná da Galiléia e a de um paralítico em Jerusalém. Para caminharmos com objetividade no estudo, vamos situar-nos em cada um desses momentos separadamente.

A CONVERSÃO DOS SAMARITANOS

Este episódio é narrado apenas por João. Os outros evangelistas não o mencionam, muito, provavelmente, por se referir a uma transformação ocorrida numa aldeia de samaritanos, o que para os judeus não era nada recomendável, tendo em vista a resistência que tinham eles a tudo que vinha de Samaria, em função do seu passado.

Dentro deste contexto é que devemos entender muito da história narrada nestes primeiros 30 versículos deste capítulo, e concluida nos quatro últimos. O que vai acontecer nesta cidade de Sicar, uma cidade de samaritanos, não aconteceu em nenhuma outra cidade por onde Cristo passou em seu ministério terreno. Praticamente, toda a aldeia vai se converter à mensagem do Senhor. Do diálogo de Cristo com aquela mulher samaritana verdadeiras pérolas teológicas podem ser retiradas. Os versículos 39 a 41 nos contam, então, sobre a grande transformação que ocorreu em Sicar. O que não aconteceu em Nazaré, em Cafarnaum, em Betânia ou em Jerusalém, cidades tipicamente judaicas, vai acontecer numa aldeia de infiéis e traidores, aqueles que renegaram a cidadania de Israel. Muitos creram pelo testemunho dela, a mulher samaritana primeiro e, depois, muitos outros vão crer pela palavra de Cristo. Ao final dos três dias ali passados, o testemunho que deixam no versículo 42 relata-nos um feliz fim da história.

A CURA DO FILHO DO OFICIAL DO REI

O episódio que João narra não tem correspondência nos demais Evangelhos. A história aqui descrita toma o título de cura do filho do régulo, ou do oficial do rei, sendo digna de destaque a insistência do homem para que Jesus descesse (Caná ficava nas montanhas, enquanto Cafarnaum estava à beira do Mar da Galiléia), a fim de curar o seu filho que estava enfermo. Diante da palavra do homem em 4:50, o Mestre lhe fala: "Respondeu-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe dissera, e partiu". O resto da história é bem conhecido. O oficial desceu de Caná e só vai chegar em sua casa em Cafarnaum no dia seguinte, quando seus servos o informam de que seu filho melhorara. Indagando a hora em que isto ocorrera, o oficial verifica que fora, exatamente, no momento em que, na véspera, à 1 hora da tarde, o Senhor lhe dissera: "o teu filho vive".

Muitas vezes, não temos esta predisposição tão resoluta em crer nas promessas do Senhor. Não que duvidemos delas, mas ficamos como que aguardando confirmações ou indicações de sua eficácia. Tais quais Gideão, ficamos aguardando o velo molhar-se ao orvalho. Tais quais Tomé, ficamos esperando ver e tocar as feridas do Mestre. O oficial do rei nos ensina muito. É "crer e descer" para ver, na arena da vida, a bênção de Deus se cumprir.

A CURA DO PARALÍTICO DE BETESDA

Uma das curas mais marcantes realizadas pelo Mestre é esta que ocorre junto à entrada ou poço das ovelhas, pois é isto, mais ou menos, que quer dizer o nome do local em que um paralítico há 38 anos se encontrava. Dizia a tradição que milagres ali ocorriam para a cura dos enfermos, mas ele, embora sempre ali se postasse, não a havia recebido ainda. Cristo vai realizá-la, de maneira miraculosa, e isto vai servir de base para uma das discussões mais acaloradas do Mestre com a classe dirigente dos judeus. De tal forma estava ela imbuida do propósito de ver o fiel cumprimento da lei que não se apercebia de que com a cura daquele homem, embora, aparentemente, houvesse um descumprimento da lei, algo de bom e de melhor resultara desta aparente desobediência. Principalmente, no caso da pregação de Cristo, eles ainda não tinham percebido que a graça sobrepujara a lei, que Jesus era maior que Moisés, por isso, não criam na cura nem no curador.

O legalismo exagerado os levou a este extremo. Em vez de se regozijarem por um irmão deles ter sido curado, depois de 38 anos de sofrimento, eles se preocuparam em saber quem tinha sido o responsável por tal "escândalo", isto é, ter ordenado a um judeu que trabalhasse no sábado. Seus olhos estavam de tal maneira presos no texto da lei que não se abriam para as maravilhas que estavam ocorrendo em decorrência da graça. Para eles a prioridade era a lei, crua e fria, sem o mínimo sentimento para a bênção graciosa que se manifestara na vida do ser humano. Devemos ter muito cuidado com este legalismo, porque, às vezes, por causa dele, esquecemo-nos de que a graça de Deus é maior do que tudo.

A SUA MISSÃO

Como já mencionamos, 31 a 38 do capítulo 4 e, principalmente, os 19 a 47 do capítulo 5, são um precioso repositório de informações sobre o relacionamento do Pai e do Filho na missão que a este foi delegada de ser o Salvador do mundo. Em poucas outras páginas no NT, veremos as doutrinas da antropologia (homem), da soteriologia (salvação), da escatologia (morte, juízo, céu, inferno) e da eclesiologia (igreja, reino), tão bem expostas quanto neste texto.

Alguns aspectos bem marcantes desta relação de Deus Pai e Deus Filho, em face do ministério terreno de Cristo, são clarificados pelos comentários que ele faz, razão pela qual o livro é tido como a "teologia de Jesus": (1) Pai e Filho se identificam na obra: "tudo quanto ele faz, o Filho faz"; (2) Pai e Filho trabalham na ressurreição: "o Pai levanta os mortos ... o Filho dá vida"; (3) Pai e Filho dividem o juízo: "o Pai a ninguém julga" (no sentido de que se o homem não crê em Cristo "já está condenado") ... "o Filho julga a todos" (no sentido universal do homem crer ou não crer); (4) Pai e Filho são dignos de honra: "quem não honra o Filho, não honra o Pai". Infelizmente, os judeus, por ficarem muito presos à lei, não percebiam esta graça, dai Jesus dizer-lhes quase ao final de sua argumentação (v. 39,40): "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdes vida".

CONCLUSÃO

No texto deste estudo, há uma afirmação do Senhor Jesus de excepcional valor. Vamos aproveitá-la para nossa conclusão. Ela está contida no versículo 24, e diz assim: "Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida". O que se destaca de impressionante valor e importância nesta afirmação de Cristo é, primeiramente, o imediatismo da salvação: aquele que crê, recebe-a prontamente. Não depende de outros intermediários ou providências secundárias: quem crê tem a vida eterna. Ponto final! Em segundo lugar, a sua garantia definitiva: quem crê não depende mais de julgamento. Não entra sequer em juízo. Já passou da morte para a vida!
Você tem esta garantia? Você já é titular desta vida eterna?

sábado, 19 de abril de 2008

"Deus AMOU o mundo"

Texto bíblico:
João 3:1-36
Texto áureo:
João 3:16


Estamos entrando num dos mais profundos textos da Bíblia a respeito da essência da verdade teológica que deve cercar a vida do homem, ou seja, a sua vinculação ao divino e espiritual. Os conceitos que o Senhor Jesus vai emitir nesta conversa com Nicodemos, um fariseu que deveria estar impressionado com as aparições do novo mestre em início de seu ministério, são de tal sutileza e inteligência que só as mentes mais voltadas para o lado espiritual poderão compeendê-los por inteiro. Mentes presas aos aspectos físicos e materiais da vida, mui, dificilmente, se aperceberão desses princípios. São idéias novas, até então não cogitadas pelos pregoeiros da revelação de Deus, os profetas do passado, e que Cristo vai começar a ensinar. Digamos que João, o Batista, deu partida a essas considerações, quando falou sobre o arrependimento, o batismo na água e no Espírito, mas Cristo, agora, é que vai aprofundá-las, explicá-las e torná-las vivas ao coração do homem.

Nicodemos era um membro do sinédrio. Tinha, portanto, a formação acadêmica do judeu culto e instruído. O fato, aqui narrado, deve ter-se dado numa das primeiras idas de Cristo a Jerusalém, sendo, assim, um retorno histórico que demonstra a pouca preocupação de João com os aspectos cronológicos de sua narrativa.

O NOVO NASCIMENTO

Com o texto do versículo 3 - "em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" - Jesus está convidando o fariseu sério e preocupado a uma reflexão transcendental. A mudança de vida, a transformação do coração, a criação de um novo ser, dentro daquele que já existe em nós, físico e mortal. Este nascer de novo é o que aconteceu comigo e com você, quando reconhecemos a Cristo como Salvador e Senhor de nossa vida.

Nos versículos seguintes, o Mestre faz uma revelação a Nicodemos, comprovando, primeiro, a separação entre o ser humano, carnal e finito que somos nós, e o ser espiritual e eterno que em nós habita e, em segundo lugar, uma declaração sobre a simplicidade daquilo que dissera. Não havia nada de mais em "nascer de novo", pois ele não estava falando do nascimento físico, mas, sim, do nascimento espiritual. O que era dificil para Nicodemos entender no plano físico (o filho retornar ao ventre da mãe para renascer), o seria muito simples, embora milagroso: o nascer do Espírito para uma nova vida.

UMA COMPARAÇÃO MARCANTE

Indo além em seus ensinos de forma que o fariseu viesse a ter sua mente aberta para a revolução que ele representava em seus conceitos e princípios, Cristo faz, nos versículos 14 e 15, uma analogia entre Moisés, o grande líder do povo hebreu, e ele mesmo, Jesus, o Filho do homem: "E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna" (João 3:14,15).

Nicodemos, sem dúvida, conhecia a história. Pelo pecado do povo de Deus no êxodo, o castigo veio na forma de cobras no deserto, que picavam e matavam. Para salvar o povo da morte, Moisés foi orientado por Deus a confeccionar uma serpente de bronze e erguê-la com uma haste sobre as dunas de areia. Assim, todo aquele que era picado salvava-se da morte, se fitasse a serpente de metal. A revelação deve ter calado fundo em Nicodemos. A comparação era muito forte. Só que ele não sabia ainda que aquele "levantar-se" do Filho do homem seria também numa haste, a cruz que o levou ao Calvário, fazendo com que todo aquele que, em todos os tempos, olha para ele, alí, e crê nele, seja salvo da picada do pecado, a morte.

UMA AUTODECLARAÇÃO IMPRESSIONANTE

Os versículos 16 a 18 são impressionantes no que nos declaram. Um deles, o 16, se tornou, inclusive, no versículo-chave da Palavra de Deus. Mas, no conjunto, eles explicitam algo de suma importância teológica: Jesus é o Salvador e não o Juiz. O mundo precisa entender que ele veio para morrer pelo pecado de todos, pois, por meio deste sacrifício a que se entregou voluntariamente, ele nos permitiu alcançar a salvação eterna. Se não cremos nele, não é ele que nos condena mas, da mesma forma que terá morrido por todos os que nele crêem, ele terá morrido, também, por aqueles que não creram e que serão condenados pelos pecados cometidos. Daí, a percepção inspirada de João dando continuidade à grande verdade que nos está apresentando no versículo 18: "Quem crê nele não é julgado, mas quem não crê já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus". Portanto, não é Cristo quem nos julga. Ele apenas se dá por nós, esperando que todos nos salvemos. Se isto não acontece, não é ele que nos está condenando à morte eterna, mas o próprio homem que, por sua vontade própria, opta por não crer no Filho de Deus, recebendo, assim, a morte eterna.

O TESTEMUNHO DO PROFETA JOÃO BATISTA

O capítulo vai terminar com a narrativa de uma disputa entre os discípulos de Cristo e os de João Batista, sobressaindo-se, em todo o texto, as verdades ditas por este homem extraordinário que foi o filho de Isabel e Zacarias, parente próximo do próprio Cristo. Ele vai revelar aspectos maravilhosos sobre a vida e missão de Jesus. Reconhece que o ministério dele é divino. Reafirma que ele mesmo não é o Cristo. Demonstra o seu regozijo pela chegada daquele que era o Messias. E, finalmente, menciona algo da maior profundidade teológica para os crentes ontem e hoje. Algo de dificil compreensão para muitos: Cristo só fala daquilo que o Senhor Deus lhe passou, e isto é recebido pelo ser humano de forma diferenciada para cada um de nós, pois ele não nos dá o Espírito Santo em medida certa, única, mas adequada e apropriada para cada crente, de acordo com sua maior ou menor espiritualidade. Para, então, no último versículo (3:36), declarar algo de sublime valor para mim e para você, para toda a cristandade, enfim: "Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus".

CONCLUSÃO

Para nossa conclusão ser mais bem aplicada aos tempos de hoje, vale a pena voltar um pouquinho atrás. No versículo 30, João declara algo que é de sublime aplicação à liderança evangélica em nossos tempos: "É necessário que ele cresça e que eu diminua". Sim, eis aí a grande dificuldade dos líderes humanos. Todos desejam sempre brilhar mais e mais. Logo que surge alguém que pode ofuscar o brilho e a liderança que um desses "luminares" do mundo exerce, este, de alguma forma, vai tentar se tornar maior, ou mesmo, o que é pior ainda, prejudicar a trajetória ascendente do concorrente. João nos ensina o contrário. Era necessário que Cristo crescesse e que ele diminuisse, mesmo que isto significasse para ele a morte.

sábado, 12 de abril de 2008

"Jesus Manifestou a Sua Glória"

Texto bíblico:
João 2:1-25
Texto áureo:
João 2:11

O Evangelho de João é todo especial. É diferente dos demais. Enquanto Mateus, Marcos e Lucas são chamados de Evangelhos Sinóticos, ou seja, aqueles que são escritos por um mesmo ângulo de visão, dentro de uma ótica idêntica, a narrativa cronológica dos fatos que cercaram a vida do Mestre, João faz uma abordagem diferenciada, detendo-se por isso mesmo, em aspectos não citados ou mencionados pelos outros.

A introdução que faz no capítulo primeiro sobre a pessoa de Cristo não é encontrada em nenhum outro. A descrição detalhada que faz do encontro no Cenáculo, nos capítulos 13 a 17, também não tem similar. Embora não cite muitos dos eventos registrados nos outros, tem uma capacidade sem igual de trazer novos enfoques, o que complementa de forma poderosa e belíssima a descrição dos seus três colegas de ministério. O primeiro milagre de Cristo, realizado em uma cerimônia de bodas na cidade de Caná, é um deles. Nenhum outro o registra, sendo apenas João que nos chama a atenção para ele, evidenciando desta forma, por um momento de sociabilidade na vida do Mestre, o início de ação em seu ministério terreno.

UMA LIÇÃO DE SOCIABILIDADE

O texto da lição de hoje começa por nos chamar atenção para um fato muito interessante, como o versículo 2 nos registra: "e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento". Muitas vezes, podemos pensar em Cristo como alguém recluso e insociável. Em geral, associamos às figuras de prestígio e influência uma fama de pessoas distantes e inatingíveis. Parece que não podemos vê-las fazendo ou participando de algo que nós, os seres comuns e simples, fazemos. Cristo nos ensina exatamente o contrário. Como Senhor e Salvador do mundo, ele vai ao jantar na casa de Simão, frequenta a casa de Marta, Maria e Lázaro em Betânia, convida Zaqueu para recebê-lo em sua própria casa, hospeda-se com Pedro. E vai, também, a um casmento.

Interessante que este fato vai resultar exatamente na realização do primeiro sinal de Cristo como Filho de Deus, dono do poder e do domínio sobre as coisas e as matérias. Assim como irá multiplicar o pão, mais tarde, ele agora transforma seis talhas de água em seis talhas de vinho, para que a festa prossiga. O Senhor não exige reclusão e solidão apenas, mas, também, nos quer alegres, sociáveis, participantes.

PERCEBENDO A GLÓRIA DE DEUS

O início de qualquer atividade ou ministério deve ser marcado sempre por algum tipo de evento que sinalize de forma positiva o futuro que virá. No caso de Cristo, é interessante verificar que ele começa o seu ministério com um sinal diante de algo bem significativo para o povo hebreu: um casamento. O que ele fez, salvando a festa das bodas daquela família, pode ter passado despercebido para muitos dos convidados, mas não para Maria, seus irmãos e seus discípulos. Foi para eles que aquele sinal se fez: "Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele" (João 2:11).

Uma das coisas mais belas da vida cristã é termos a devida percepção da glória do Senhor ao nosso redor. Muitas vezes, ficamos de tal maneira presos aos números e fatos da vida secular que não percebemos a presença da glória do Senhor nas pequenas coisa que nos cercam: a igreja que cresce, as conversões que se dão, as vitórias alcançadas, a paz em nosso lar, coisas simples e comuns, mas que são resultantes da bênção e da graça do Senhor sobre os crentes e a igreja. Os discípulos, porque viram esta manifestação, creram nele, e tudo de maravilhoso e grandioso que irá acontecer no futuro daqueles dias na Galiléia vai começar a partir daí.

UM CRISTO DIFERENTE

Um dos aspectos que distingue o Evangelho de João dos demais chamados Sinóticos é exatamente a falta de uma continuidade cronológica mais precisa. Para alguns comentaristas, esta ida de Jesus a Jerusalém, que João aborda logo depois do primeiro milagre, não teria acontecido no início do ministério terreno do Mestre e, sim, no final. Eles divergem, inclusive, sobre quantas vezes teria ido o Senhor a Jerusalém, o que torna mais difícil a correlação das datas e episódios. No entanto, tudo faz crer que esta purificação do templo aconteceu na última semana de Cristo em seu ministério, pois existe muita correspondência de dados entre o que conta João e o que temos registrado nos capítulos finais dos Evangelhos de Mateus (21), Marcos (11) e Lucas (19).

O fato é que esta narrativa nos leva à presença de um Cristo que em geral desconhecemos. Vêmo-lo sempre bondoso, amável, perdoador, amigo e, muitas vezes, temos dificuldade em enquadrá-lo num perfil de exigência, cobrança e esforço físico. Devemos lembrar sempre que Cristo era o Filho de Deus e, por isso mesmo, sua trajetória terrena teria que conter, também, momentos de imposição, juízo e até mesmo demonstração visível de força e valentia física, como vemos no versículo 15.

O que precisamos entender é que o amor é justo também. Cristo amava as pessoas, mas o seu zelo pela justiça, como Filho de Deus que era, esperava que essas pessoas tivessem o mínimo de reverência e zelo pela casa do seu Pai. Ele estava diante de um quadro indescritível por sua baixeza: o templo do Senhor conspurcado, sujo, transformado em mercado, palco da baixaria do comércio ambulante, vil e mercenário. Isto era algo inconcebível para o Filho de Deus.

UM COSTUME QUE SE TORNOU ATUAL

Infelizmente, o que Cristo viu e recriminou como lemos: "Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócios" (João 2:16), vai tornar-se um costume mundial e permanente. Em Éfeso, Paulo vai enfrentar problemas, porque o mercantilismo em torno do culto a Diana estaria sendo prejudicado por sua mensagem. Nas grandes cidades do paganismo da Antigüidade isto já se dava. Em Nínive, em Babilônia, em Atenas, em Roma, a presença desse mal estará sempre marcante, em todas as épocas da humanidade. Hoje, ainda, há "grandes santuários" que subsistem por esta forma de comercialização. Vá a qualquer país da Europa católica e verá, em torno das grandes catedrais, o mesmo tipo de comércio. Em nosso Brasil mesmo, as "quermesses" e bazares associados a datas e locais "santos" estão presentes em todos os estados, em maior ou menor escala. E, infelizmente, em nossas igrejas, temos também permitido que tais coisas se façam.

CONCLUSÃO

Vamos pensar no que está contido no versículo: "... e não necessitava de que alguém lhe desse testemunho do homem, pois ele bem sabia o que havia no homem" (João 2:25). Nenhum outro Evangelho nos revela isto. João, pela peculiaridade de sua narrativa, a mais intensa e densa descrição da vida de Cristo que o NT contém, nos apresenta pensamentos ou situações inusitadas e que nos convidam a sérias reflexões, como o texto acima.

Sim, à medida que nos lembramos que Cristo conhece o que vai dentro de nós, ficamos extremamente vulneráveis ao seu exame daquilo que vai em nosso coração. Os maus pensamentos, as intenções malévolas, as iras, os sentimentos impróprios, tudo isto, se os tivermos, estará sempre exposto ao crivo do Senhor de nossa vida, pois ele sempre sabe o que vai no fundo do nosso ser. Já imaginaram o sentimento de Cristo durante três anos vendo Judas ao seu lado e sabendo o que lhe aconteceria? Já sentiram a decepção dele falando ao jovem de qualidade, convidando-o ao seu serviço, mas sabendo que ele iria preferir as riquezas desta vida? Este confronto da divindade de Jesus com a humanidade de que se revestira deve ter sido um fardo pesado que ele conduziu em todo o tempo em que esteve na terra. Vamos torná-lo, agora, mais suave para ele, vivendo de tal forma que ele saiba que aquilo que vai em nosso coração nada mais é do que nossa devoção e fidelidade a ele.

sábado, 5 de abril de 2008

"Vimos a sua glória como a do Pai"

Texto bíblico:
João 1:1-51
Texto áureo:
João 1:14


No momento em que abrimos as nossas páginas de estudo neste trimestre para um livro tão importante significativo como este, deveríamos fazê-lo quase que de joelhos. Os escritos de João são de uma delicadeza e singeleza moral mas, também, de uma profundidade espiritual tal que mereceriam esta espécie de reverência, pois o que vamos ler, se pararmos para meditar um pouco no conteúdo, vai-nos levar, sem dúvida, a momentos de muita inspiração e devaneios espirituais. Vejam a preciosidade desses primeiros cinco versículos (João 1:1-5): "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela".
Todo o decorrer do livro será eivado de passagens que, se devidamente analisadas por nós, irão nos transportar a momentos de muita inspiração e, diríamos mesmo, de êxtase espiritual. Sem dúvida alguma, o autor deste livro, João, era muito sensível. Em geral, os introspectivos o são. Porque não exteriorizam seus sentimentos, a dimensão deles é ampliada, aprofundada, intensificada. Inegavelmente, também, deveria ser João uma personagem "amorável". E com essa palavra queremos dizer que muito amava e era amado. As citações evangélicas o distinguem como o "discípulo amado", numa evidente predileção que deveria ser muito bem administrada pelo justo Mestre. Afinal de contas, era o "caçula" do colégio apostólico, supomos e, por isso mesmo, objeto talvez de atenção e cuidados maiores. Era ele que, numa atitude de confiança e intimidade, reclinava a cabeça no peito de Cristo. E por ser ele este ser amável, pôde captar e reproduzir com tanta plenitude e simplicidade as páginas memoráveis e vivenciadas por Cristo, transbordantes de amor, e amor incomparável. Só mesmo alguém que se tornara um instrumento do amor poderia assim fazê-lo.

ENTENDENDO A EXPRESSÃO "VERBO"

O verbo é Jesus. Esse "logos", no original grego, é a palavra divina manifesta em forma de gente ente os homens. Cristo é o verbo, à medida que foi por meio de sua vinda ao mundo que Deus falou ao homem, se expressou à sua criatura foi visto e tocado pelo ser humano, bebeu, comeu, dormiu, sorriu, sentiu dor e chorou como qualquer criatura. Este "verbo", palavra, quer dizer que foi esta a forma como o Senhor Deus materializou a sua comunicação com a sua criatura por excelência fazendo-se assim, "Deus conosco", porque se comunicou pessoalmente com a sua criação.

Ele estava com o Senhor, o Pai, no princípio de tudo, e tudo foi feito com a sua assistência (Gn 1:26), daí expressão "por intermédio dele" e a extensão mais profunda ainda com o complemento que o autor acrescenta de que "sem ele nada do que foi feito se fez". Interessante que, como a primeira inserção divina na Criação foi o "haja luz" (Gn 1:3), a primeira manifestação de Cristo na história foi também a luz, a luz de uma estrela (Mt 2:2). Esta luz, a luz da salvação trazida por ele ao mundo, prevaleceu conta as trevas do pecado e chegou aos nossos dias para nossa alegria e paz.

A DIVINDADE REVESTINDO-SE DE HUMANIDADE

É isto que João descreve neste primeiro capítulo de seu livro. Sim, o verbo se fez carne. Cristo se tornou gente como nós. A suprema divindade dele se reveste da limitada humanidade nossa para, por meio desta união impossível em seus opostos, mas possível no propósito do amor divino, proporcionar-nos a graça salvadora nesta vida e a bênção da eternidade com ele depois desta vida.

Os registros do Evangelho de João constam dos manuscritos mais antigos do grego neotestamentário. Ou seja, são escritos de cerca de 2 mil anos atrás. Fica difícil, dado o conhecimento que temos hoje no campo da teologia, sabendo-se o quanto custou a evolução desses princípios e conceitos através dos séculos, imaginar-se como seria possível a um rude pescador da Galiléia antiga descrever com tanta propriedade e beleza a singularidade dessa revelação magnífica de Deus aos homens. Só mesmo pela inspiração dele é que podemos, de alguma forma, alcançar como foi que João, o apóstolo do amor, pôde se tornar o instrumento do Senhor para escrever um texto sem igual como este. Quando o Senhor quer, ele transforma nossa limitação em capacidade, nossa nulidade em realização. Foi isto que aconteceu com João.

A PROFECIA QUE SE CUMPRE


João, o Batista, foi o precursor do evangelho que Cristo trouxe ao mundo. É impressionante notar como, depois de 400 anos do fechamento da revelação bíblica do Antigo Testamento, a história começa a se reiniciar apontando agora para o Cristo de Deus, o Messias prometido, aquele que Isaias anunciou em sua profecia, no capítulo 40 de seu livro.

Os religiosos da época vão ficar impressionados com a pregação de João e irão questioná-lo. Ele vai dizer claramente que não é o Cristo, ou seja, não é o ungido de Deus, o Messias, como esperavam os judeus. Ele vai dizer, também, que não é a manifestação rediviva de nenhum profeta do passado, como Elias, por exemplo. E, diante de sua persistência, vai responder-lhes: "Eu sou a voz do que clama no deserto. Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaias" (Jo 1:23).

Ele era apenas o precursor. A voz que clamava. A voz que se ergueu nos desertos da Judéia para anunciar a vinda próxima do Filho de Deus. A voz que apontava a necessidade de mudança de vida. A voz que advertia sobre o pecado cometido e a exigência de Deus para que alterassem os seus planos e endireitassem os seus caminhos.

JOÃO BATISTA ANTEVÊ O CALVÁRIO

Fica difícil compreender isto mas, quando João Batista manifestou o seu conhecimento da salvação que o mundo encontraria em Cristo, ele estava como que antevendo a crucificação do Senhor Jesus. Sim, quando ele compara o Cristo ao cordeiro, é como se dissesse: assim como o cordeiro do homem é usado por ele para o sacrifício por seus pecados no culto do templo, livrando-o da culpa, assim o filho de Deus será usado por ele, o Senhor, para tirar do mundo o seu pecado, e com ele, a morte. Ele, que não vai viver para ver a sua revelação cumprir-se, viu-a pelos olhos da fé e da profecia quando disse: "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1:29).

Podemos afirmar que, nesta palavra de João, a revelação bíblica estava por se cumprir. Tudo aquilo que desde Abraão começou a delinear-se para a história da humanidade, iria encontrar em Cristo a sua realização plena.

CONCLUSÃO

Discípulo é aquele que segue alguém. É aquele que aprende do que ensina e procura colocar em prática os ensinamentos que recebeu do mestre. A palavra que tem sua origem no Latim, quer dizer, basicamente, aluno, aprendiz. No entanto, no sentido evangélico e cristão, a palavra discípulo quer dizer muito mais do que um simples aluno ou aprendiz. Discípulo, no sentido extraído da Palavra de Deus, é aquele que segue Jesus. É isto, exatamente, que o exemplo de João e André nos mostra: "Aqueles dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus" (Jo 1:37).

João e André, com suas atitude de desprendimento e coragem, nos ensinam muito. Eles já estavam devotados a uma causa, o discipulado de João, mas não hesitaram em deixá-la, para se dedicarem a uma causa maior ainda, o discipulado de Cristo, o Salvador, aquele que tiraria o pecado do mundo.

Eu e você temos funções a realizar no mundo hoje. Estamos vinculados a esta ou aquela obra. Maior ou menor, não importa. Na dimensão humana do mundo de hoje, têm elas o seu devido valor. No entanto, a Bíblia nos está apontando para Cristo, o Cordeiro de Deus. Importa que, como João e André, deixemos as causas que nos enredam e sigamos a Jesus. No meu trabalho, no seu lidar, há, sem dúvida, lugar para sermos seguidores de Cristo.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Importância da Escola Bíblica Dominical

Abril: Qual a importância da Escola Bíblica Dominical nos dias de hoje?

Por:
Rita Léa Siqueira
Educadora Religiosa

"E será que, se ouvires a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o SENHOR teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do SENHOR teu Deus;" Dt 28:1-2
Desde o começo da história do relacionamento de Deus com o povo hebreu, pode-se perceber que havia uma ordenação, da parte de Deus, para que o seu povo o conhecesse melhor, soubesse o que agradava e o que desagradava a Ele. Moisés foi um dos primeiros grandes professores, pois foi o responsável por receber as instruções divinas e ensiná-las ao povo. Tudo que Deus queria era que o povo lhe fosse fiel e que não errasse o caminho. O que se sucedeu foi que o povo, rebelando-se, não quis ouvir os bons conselhos, indo cada um por seu caminho. Isto trouxe destruição aos desobedientes, sendo isto muito pesaroso a Deus.
Todos os profetas foram, acima de tudo, ensinadores. Exortavam o povo a voltar para Deus, apontavam onde estavam os erros, traziam as ordenações do Senhor. Lembrava o povo de tudo àquilo que Deus tinha feito por eles. Mas Jesus foi o maior mestre, sem dúvidas. Usava situações cotidianas, comuns ao povo, para ensinar as grandes verdades de Deus. Ensinava a todos, indiscriminadamente: ricos, pobres, velhos, jovens. Após Cristo ter sido crucificado e ter ressuscitado, os apóstolos foram os encarregados de ensinar os seus discípulos. Pedro, Tiago, João e Paulo, inclusive, escreveram diversas cartas, sendo que algumas foram destinadas a certas igrejas, enquanto outras tiveram um âmbito de circulação mais amplo, servindo a várias igrejas, em diversos lugares.+ Leia Mais