Texto bíblico
João 11 e 12
Texto áureo
João 11:25-26
A coincidência entre os eventos dos Evangelhos Sinóticos e o de João, começam a se efetivar a partir deste momento. Depois de outras vezes que João nos narra que Jesus estivera em Jerusalém, agora será na semana da páscoa, aquela em que o Cordeiro de Deus será entregue nas mãos dos seus executores. Cristo, agora, inicia a sua jornada para a cruz. Nesse momento em que, deixando a região das cercanias do Jordão, começa a subir em direção a Betânia, ele está, na realidade, começando a jornada do Gólgota, pois apenas lá é que ela cessará. Não há mais volta. O plano de redenção da humanidade aproxima-se do seu fim.
Sim, não havia mais o que esperar. O tempo estava contado. No relógio de Deus, o tempo da promessa se cumpria. Abraão já a vislumbrara pela fé. Moisés nela crera. Davi dela falara. João a anunciara. E, agora, o Cristo de Deus, o Senhor e Mstre, caminhava para a consumação do plano. Não precisava ocultar-se mais. Não precisava pedir que os salvos por ele não falassem aos outros sobre ele. Não, agora quando fosse levantado na cruz do Calvário, a glória de Deus se consumaria por inteiro, pois tragada foi a morte, vencido foi o pecado, condenado foi Satanás. Glória ao nosso Deus!
Quatro fatos se destacam no texto destes dois capítulos, dos quais vamos tirar alguns ensinamentos para nós.
A RECUPERAÇÃO DE UMA IMAGEM
Marta, a irmã de Lázaro e Maria, a família que hospedava Cristo em Betânia, não tem uma boa imagem, em geral, para os leitores dos Evangelhos. Recriminada por sua intromissão um tanto obsessiva em uma outra visita de Cristo, é vista sempre como uma personagem insensível à presença do Mestre, mais preocupada com os aspectos pecuniários do viver do que o de desfrutar espiritualmente daquela bênção. No entanto, no episódio relatado nos versículos 17 a 44, ele recupera a sua imagem de forma esplendorosa, pois, é ela quem vai ao encontro do Mestre (v. 20); é ela quem demonstra irrestrita confiança no Mestre (v.21,22); é ela quem evidencia crer na ressurreição dos santos (v. 24); é ela que, tal como Pedro revela a pessoa divina de Cristo (v. 27); é ela quem vai despertar Maria de seu torpor (v. 28); é ela, com sua mente aguda e pronta, vai alertar o Mestre para o tempo já decorrido da morte de Lázaro e, com isto, ensejar a Cristo a oportunidade de uma revelação que deve se constituir uma das mensagens mais presentes na vida cristã: "Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?" Sim, Marta permitiu-nos, com sua sempre pronta presença, receber de Cristo uma das promessas mais brilhantes para o nosso viver cristão. Sim, se crermos, eu e você, tais como Marta, Maria e Lázaro do passado bíblico, poderemos ver a glória de Deus, a bênção da alegria e da paz que só ele traz ao coração.
A REAÇÃO DOS ADVERSÁRIOS
Interessante que o impacto causado pela ressurreição de Lázaro, que só devia causar reações positivas e benévolas para todo o povo, vai ter um resultado, totalmente, diferente na mente dos adversários e oponentes de Cristo. A estes, a bênção da vida nova que um judeu havia recebido, Lázaro, o único arrimo de suas irmãs, a alegria que isto causara aos moradores de Betânia, a realidade maravilhosa do poder sobre a morte, que o Mestre que vinha de Nazaré provara, nada disso tinha valor em face de seus valores religiosos, tradicionais e arcaicos, fechados à vida nova que o Senhor trazia para o mundo.
Logo, a notícia da vida nova dada a Lázaro é levada a Jerusalém, onde estava instalada a elite religiosa. Em vez de se alegrarem com a nova, eles começam a temer, pelo seu poder e domínio que, diante da mensagem de Cristo, estavam em perigo. Acham que suas estruturas religiosas podem ser colocadas em dúvida, destruindo o acordo de convivência pacífica que conseguiram manter com o império romano, que dominava a Palestina na época. Por isso, em vez de se quedarem sobre o que representava para o povo de Deus a presença de um profeta que tudo indicava ser o Messias tão esperado, voltaram-se para os seus direitos, temerosos que estavam de perdê-los. Para almas empedernidas, distantes de Deus, aquilo que pode significar bênção se transforma em motivo de discórdia e vingança. Foi isto que aconteceu.
A REAÇÃO DOS AMIGOS
Inteiramente diferente é a reação da família e amigos de Lázaro. Em meio a tantas peocupações, pois todos mais ou menos sabiam o que esperava por Cristo em Jerusalém, o povo de Betânia e os discípulos de Cristo se regozijam com as bênçãos recebidas naquele dia. Podemos imaginar o cenário. Lázaro, ressurreto, volta para casa. Marta trata de dar "um jeito na casa", pois devia estar bem desarrumada depois dos últimos acontecimentos. Maria, alegre e feliz, resolve que devem fazer uma reunião, uma festiva recepção, pois Cristo ali estava, seu irmão estava redivivo, os discípulos, amigos, ali, também, se encontravam, tudo se somava, favoravelmente, para um alegre encontro.
Muitas vezes, não temos esta percepção de Maria, Marta e Lázaro. Cristo está ou não está em nossa casa? Se ele está em nosso coração, se ele é compartilhado com nossos queridos, ele deve ser presença marcante e sempre destacada em nosso lar. Por esta causa, devemos ter sempre motivos de regozijo e de festiva recepção em nossos lares. Jesus é o Senhor deles? O condutor de nosso viver? Então, como diz o salmista, "este é o dia que o Senhor fez, regozijemo-nos e alegremo-nos nele" (Sl 118:24).
A CHEGADA DE CRISTO EM JERUSALÉM
No dia seguinte ao jantar em Betânia, o Senhor subiu para Jerusalém. Sendo três quilômetros apenas de caminhada, logo ali chegaram. A notícia de sua estada naquela aldeia e o que ali fizera já repercutia na cidade santa. O alvoroço era grande, pois todos sabiam que ele resssuscitara a Lázaro, e até os seus discípulos perceberam depois que ele lhes anunciara isto quando lhe dissera que a morte de Lázaro seria algo para sua glorificação. A forma como recebem a Cristo já tinha sido de certa maneira profetizada no passado bíblico, como nos transmite o Salmo 125 (v. 26). Infelizmente, esta reação era a do povo humilde e simples, que cria na promessa de Deus e nas múltiplas manifestações que o Senhor Jesus, desde o início de seu ministério terreno, operara entre os pobres e os carentes de Israel.
Este episódio da vida de Cristo deve-nos levar a pensar. O ocorrido é um só: sua chegada a Jerusalém. No entanto, as reações a esta chegada são duas, completamente diferentes, antagônicas entre si. Uma declara a sua majestade divina, a outra reconhece o prejuizo que teriam com a aceitação que a pessoa de Cristo estava recebendo por parte do povo. Da mesma forma, podemos perguntar-nos: Qual a reação que a presença de Cristo está causando em minha vida e em sua vida? Estamos reconhecendo nele o Salvador e Senhor de nossa vida? Ou, tais como os fariseus, estamos sendo "incomodados" em nosso viver pelo que ele exige de santidade em cada dia a partir de então?
CONCLUSÃO
Os fatos que vão ocorrer nesta última semana, é que são os responsáveis pela chegada do evangelho aos nossos dias. Os discípulos verificaram que ele era o Filho de Deus, que morrera pelos nossos pecados, que vencera a morte, que voltara para estar com eles e que tudo aquilo que anunciara estava acontecendo e se comprovando. Diante disto, eles vão se tornar pregoeiros desta mensagem, levando-a a todos os rincões do mundo conhecido na época e preservando-a límpida e pura pelos séculos que viriam. Por isso, nós hoje cremos nela e somos responsáveis por levá-la adiante.
Blogger criado para honra e glória do Deus Altíssimo e do Senhor Jesus Cristo, seu Filho, a fim de que resulte em edificação do seu povo e venha de ser oportunidade propícia para o Consolador convencer o mundo ... E, assim o mundo creia na grande misericórdia de Deus Pai através da sua maravilhosa graça. GRK-Geraldo Ribeiro Kruschewsky.
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