sábado, 17 de maio de 2008

"EU SOU o bom pastor"

Texto bíblico
João 10

Texto áureo
João 10:14

Este capítulo do Evangelho de João é uma das mais belas expressões do amor e da companhia de Cristo àqueles que o seguem. João, somente ele, registra o que está contido aqui neste capítulo 10 até o versículo 21. Esta imagem de Cristo como o bom pastor, transmitida por ele mesmo, nos remete ao Salmo 23, e de uma forma harmônica e inspirada como só a Palavra de Deus nos pode tocar, somos como que levados a uma atmosfera de aconchego, amizade e conforto inigualáveis.

A relação ovelha-pastor é algo especial para os entendidos na pecuária ovina. Enquanto a relação boi-boiadeiro é de violência e impacto, sendo o gado bovino movimentado pelos gritos e azorragues dos seus condutores, que por trás do rebanho seguem açulando e azucrinando as reses para que elas caminhem, a do pastor-ovelha é totalmente diferente. O pastor vai à frente, muitas vezes, em determinadas culturas, tocando uma flauta ou cantando, com voz suave e cândida, e as ovelhas o seguem. É, portanto, uma relação de conhecimento, harmonia e obediência.

Do versículo 22 em diante, temos, então, a outra face da realidade do ministério de Cristo. Depois da comunhão e envolvimento fraterno, o confronto com os adversários, a luta contra a oposição da liderança religiosa de Jerusalém, encastelada em sua lei e tradições. Da riqueza de conteúdo do texto, vamos refletir sobre quatro verdades que podemos dele extrair.

JESUS, O BOM PASTOR

Neste Evangelho, Cristo, várias vezes, fala sobre a sua pessoa com um sentido de algo significativo para os seus discípulos. Já passamos sobre "eu sou a luz da vida", "eu sou a água viva", "eu sou o pão da vida", e outros "eu sou" virão ainda. Mas, neste pequeno texto de hoje, ele aborda, diretamente, dois outros significados para o ser humano, resultantes de sua vinda ao mundo, ambos de grande profundidade para todos nós. Estão eles registrados nos versículos 9 e 11:"Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e sairá, e achará pastagens." Vejam que sentido especial o texto nos traz! Ele não fala da porta do "que". Ele, simplesmente, é a porta. Para onde quer que queiramos trilhar a nossa vida, ele é a porta.Ou seja, é o caminho por onde devemos passar se queremos iniciar nossa vida profissional, formar o nosso lar, realizar nossa tarefa, filiar-nos a uma igreja. O significado desta porta é mais amplo ainda, se observarmos que por ela podemos entrar ou sair. Isto é, ele nos dá liberdade de trânsito, caso queiramos entrar por ela para encontrar paz, ou queiramos sair por ela para enfrentar a luta da vida. Mais ainda, entrando ou saindo por ela, nós encontraremos alimento, força, resistência, a "pastagem" de que ele fala.

Porém, a mensagem vai mais longe ainda em seu sentido de amparo e sustento, quando, além de ser ele a porta pela qual trilharemos os caminhos da vida, passando por ela, nós encontraremos sempre o bom pastor. Aquele que faz com que "nada nos falte, que nos conduz a pastos verdejantes, que guia a águas tranqüilas, que refrigera a nossa alma e que, preparando uma vida em paz para nós, nos leva, finalmente, a habitar com ele para sempre"(ver o Salmo 23).

A EXTENSÃO DESTE PASTOREIO

A dimensão do ministério salvífico que Cristo, pela vontade do Pai, veio implementar na terra, foi universal e intemporal. Isto é, foi realizado para salvar a todo ser humano em todo o tempo. Antes e depois dele. Na Palestina ou na Europa, no Japão ou na África, na Oceania ou na América. Não importam a época ou o local, Cristo veio para que todos encontássemos nele a salvação. Por isso, ele pôde dizer a seus discípulos (v.16) que teria outras ovelhas além daquelas que ali estavam. Outras viriam. Outras ouviriam a sua voz através dos séculos. E por meio desta relação que se estabeleceria entre ele, o Salvador vindo de Deus e a criatura humana, como Abraão e Moisés no passado. Pedro e João em seu tempo, eu e você hoje, um rebanho se formaria, um rebanho de um só pastor, Jesus, o Senhor.

Você já pensou nisto? Somos parte do rebanho de Cristo. Ele é o pastor; nós, as ovelhas. Ele é o Senhor; nós, os servos. Ele é o Salvador; nós, os salvos. Que, diante de uma realidade tão ampla como esta, nós nos tornemos dignos deste rebanho, ovelhas dóceis e confiantes, crentes que repousam no poder e no amor deste pastor que nos salvou e nos conduz.

UMA PERGUNTA SEM RESPOSTA

O Senhor tinha uma habilidade enorme para o debate. Sua técnica de argumentação, rebatendo as perguntas com outras perguntas, era tão inteligente que os judeus não sabiam como enfrentá-lo. Nos versículos 31 a 33 vemos mais um trecho em que diante de um momento difícil, pois os judeus ameaçam mais uma vez apedrejá-lo, ele vai transferir o palco de discussão para outro nível, fazendo com que se esqueçam das pedras e continuem a discussão.

Tudo acontece quando Cristo afirma: "eu e o Pai somos um". Esta identidade divina que ele assumia com o Senhor Deus era por demais ofensiva para os incrédulos judeus. Eles vinham seguindo o Mestre desde o início de seu ministério. Sabiam que ele havia curado a muitos, alimentado multidões, dado vista aos cegos, feito paralíticos andar mas, ainda assim, não criam. Os seus corações estavam fechados para receberem Cristo como Salvador e Senhor. Diante dessa disposição deles em agredí-lo, o Senhor vai, então, fazer-lhes uma pergunta inquietante:"por qual dessas obras ides apedrejar-me?"

Naquele instante, deve ter passado pela cabeça deles: que obra ruim este pretenso Filho de Deus fez? Só temos notícias de coisas boas: curou, alimentou, salvou. Como vamos apedrejá-lo, quando não há por que recriminá-lo pelas obras que realizou? Tinham visto as pessoas curadas. Ouviram, por certo, o testemunho dos que foram alimentados por ele. Dialogaram com o cego que teve a visão restituida. Ou seja, pelas obras dele, não havia como incriminá-lo. Eram obras dignas do Deus que pregavam, mas não conheciam. Muitas vezes, em nossa vida, esquecemo-nos de que, mais do que conhecer a história que a Bíblia nos revela, devemos conhecer o Deus da história.

A CONSTATAÇÃO DO POVO HUMILDE

Enquanto, mais uma vez, os judeus tentaram aprisioná-lo sem o conseguir, Jesus sai de Jerusalém e dirige-se a Betânia. Esta era uma aldeia que ficava a cerca de 3 quilômetros de Jerusalém, numa das vertentes oeste das colinas que conduziam à cidade santa. Era ponto de passagem para quem saia ou entrava de Jerusalém na direção do Rio Jordão, onde João batizava. Pelo visto, enquanto aguardava os acontecimentos que precediam o climax do plano que o Pai estabelecera, ficou por ali algum tempo, preparando os seus discípulos e atendendo aos que o procuravam. Foi quando muitos o procuraram (v.41) para afirmar que "João, na verdade, não fez sinal algum, mas tudo quanto disse homem era verdadeiro". Sim, os que o seguiam podiam constatar a verdade das palavras de João. Cristo era maior do que ele. Cristo era o cordeiro de Deus. Cristo era aquele que tiraria o pecado do mundo. João não era digno, sequer, de desatar as alparcas dos seus pés. Importava que o Senhor crescesse e que João diminuisse, pois ele nada mais foi do que a voz que anunciava a chegada do rei.

CONCLUSÃO

Cristo, neste capítulo de excepcional ternura em seu início, coloca-se para nós e para todos os seus discípulos, de todas as épocas, como a porta do aprisco, o lugar de refúgio e segurança do rebanho. Como ele conta isto em termos de parábola, seus discípulos, naquele momento, não vão entender muito bem o que lhes comunica nos primeiros seis versículos do capítulo, daí a repetição mais clara que faz no versículo 7:"Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes:Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas".

Sim, ele é a porta na qual todos batemos em busca de companhia e paz. Ele vai dizer mais tarde:"no mundo tereis aflições". Pois bem, o que ele quer dizer é que, tal como a ovelha, que ao final do dia procura a porta do aprisco, o portão do seu curral, para ali se abrigar do perigo da noite lá fora e aquentar-se do frio da madrugada, o discípulo deve procurá-lo para, por meio dele, encontrar a paz, a segurança e o amor que só este portal espiritual pode pode transmitir.

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