Texto bíblico
João 6 e 7
Texto áureo
João 6:67-69
O título da lição deste domingo se deve ao fato de que, nestes dois capítulos, o Senhor Jesus exerce um ministério quase que ambulante. Em diversos momentos, vamos ver que ele se desloca de um lado ao outro da região do Mar da Galiléia, chegando, finalmente, até a Judéia em Jerusalém, para levar a todas as gentes a sua mensagem salvadora.
O Mar da Galiléia, como é chamado usualmente no NT, é o mesmo Mar de Genezaré (palavra aproximada do Quinerete como era chamado nos tempos do AT), ou Mar de Tiberíades, em homenagem ao imperador romano da época, Tibério. Ele está situado cerca de 212 m abaixo do nível do mar, sendo uma espécie de alargamento do Rio Jordão, com cerca de 18 quilômetros de comprimento (tem a forma de uma pêra), e 13 quilômetros de largura. Diferentemente do Mar Morto, mais ao sul, onde morre o Jordão, a mais de 400 m abaixo do nível do mar, suas águas são muito piscosas, razão por que o comércio da pescaria se espalhava por todas as cidades por ele banhadas.
Esta região vai ser abençoada pelo ministério de Cristo, pois, pelo menos quatro grandes eventos aí se dão.
A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES E PEIXES
A narrativa de João 6:1-15 nos apresenta mais uma vez o poder do Senhor sobre a matéria. O que já houvera feito quando em Caná transformara qualitativamente água em vinho, agora, vai fazer transformando, quantitativamente, poucos pães e peixes em inúmeros pães e peixes. De certa forma, a lição básica do poder dele já é, plenamente, aceita por nós que o vemos como Filho de Deus, possuidor de todo o poder para tal. Existem, no entanto, outras lições muito interessantes que podemos retirar do texto. Por exemplo:
a) Sua atenção para com a necessidade do povo. Impressionante como ele percebe que aquela multidão carecia de cuidados. Na sua grandeza divina, poderia passar-lhe despercebido isso, mas ele era sensível ao sofrimento, dor e angústia dos que estavam ao redor. Quantas vezes nos falta este mínimo sentimento de compaixão e solidariedade para com os necessitados que temos ao nosso redor;
b) A insensibilidade dos discípulos. Mesmo sentindo o problema dos demais (fome, desabrigo), não foram capazes de pensar em como atender à necessidade do povo em volta. Muitas vezes, mesmo na igreja, temos pessoas à nossa volta carentes de atenção e não nos voltamos para eles;
c) O desprendimento do rapazinho. Sim, admirável isto. Ele tinha o seu problema resolvido. Fora previdente e ali estava com seu lanche de cinco pães e dois peixes. Vieram para "tomá-lo" e distribuí-lo para milhares de pessoas? Você não ficaria desconfiado disso? Mesmo assim, ele abriu mão e nos deu com seu gesto um exemplo de dedicação anônima extraordinária.
O PODER DE JESUS SOBRE A NATUREZA
Um dos milagres ou sinais mais notáveis expressos por Cristo em seu ministério terreno foi este. Andar sobre o mar é algo que até hoje desafia o entendimento de ateus e céticos no poder maior que ele possuia. Como lemos no texto (6:16-21), Cristo estava no lado d'além Jordão quando da realização do milagre da multiplicação dos pães. Isto seria a Peréia ou a região chamada de Decápolis. Ao final do dia, ele envia por mar os seus discípulos de volta ao lado d'aquém Jordão, à Galiléia dos gentios, à cidade-base de seu ministério iniciante, Cafarnaum.
Como eles teriam remado cerca de 25 a 30 estádios, podemos presumir que estavam mais ou menos no meio da travessia, cerca de 6 quilômetros, pois cada estádio equivalia a 200 metros. Jesus, por certo, os enviara à frente para ficar a sós enquanto orava (outros evangelhos registram isto). Como eles iniciaram a viagem ao cair da tarde, podemos supor que, ao final da noite (meia-noite), ele foi ao encontro dos discípulos para chegarem juntos, de barco, a Cafarnaum na manhã seguinte. Foi quando eles, os discípulos, "...viram a Jesus andando sobre o mar e aproximando-se do barco..." Eles ficam até assustados com o inusitado da cena, mas Cristo os acalma e eles podem então testemunhar que o Mestre tinha poder sobre a matéria (água, pães, peixes), que eles já tinham visto, mas agora presenciaram seu poder sobre a natureza. E muito mais eles ainda veriam.
DOIS SERMÕES DE JESUS, UM EM CAFARNAUM E O OUTRO EM JERUSALÉM
Estes dois capítulos nos registram dois dos mais poderosos sermões de Cristo. O primeiro, quando em Cafarnaum, na sinagoga, ele, sabendo que muitos tinham percebido a forma misteriosa como chegara de volta, pois sabiam que ele não havia embarcado com os discípulos e, também, tinham presenciado o sinal da multiplicação dos pães, fala sobre ele como o pão da vida (6:22-59). O sermão é duro e forte para a mente legalista dos judeus, abordando a diferença entre o maná que ele simbolizava agora para Israel. O segundo, quando por insistência dos seus irmãos resolve ir a Jerusalém para a festa dos tabernáculos. Ali, ele se dirige ao templo e dentro da cidadela do farisaísmo e judaísmo mais renitentes, proclama um dos sermões mais corajosos e objetivos, apresentando-se como o Filho de Deus, o enviado do Pai (7:14-44).
Hoje, precisamos ter esta coragem para testemunhar do evangelho. De tal maneira os valores têm sido pervertidos pela sociedade que proclamar diante do mundo o que é certo torna-se um desafio para o crente, que precisa enfrentar tais situações com firmeza e destemor.
A REAÇÃO DE PEDRO E DOS GUARDAS QUE FORAM PRENDÊ-LO
No texto de 6:60-71, temos a reação dos que ouviam a mensagem de Cristo. Embora muitos se sentissem abençoados pela graça salvadora que ele apresentava e vivia, outros se ressentiam de suas acusações contra o legalismo e a exigência de uma vida nova. Por esta causa, até mesmo alguns dos seus seguidores se retiram. É quando Pedro, de forma esplêndida, dá um testemunho que parte do fundo de sua alma intempestiva mas sincera e espontânea: "Senhor, para quem iremos nós?... tu és o Santo de Deus". Muitas vezes, não temos esta disposição de identificar-nos com o nosso Senhor e Salvador diante do mundo ao redor, com este mesmo vigor e coragem.
No texto de 7:45-52, temos a reação maravilhosa e convicta dos guardas que foram inviados pela classe dirigente para o prenderem. Eles ouviram o Mestre, pensaram em suas palavras, em como tirar delas motivos para a sua prisão. Não encontrando nenhuma razão para tal, voltam e declaram de maneira estonteante para os principais sacerdotes e fariseus: "Nunca homem algum falou assim como este homem". Sim, Cristo fala ao coração do ser humano de maneira especial e muito pessoal. Ele transforma a nossa vida. Ele nos impressiona com o seu falar, assim como impressionou aqueles rudes soldados que sequer o tocaram. Você já ouviu a voz de Cristo em seu coração?
CONCLUSÃO
Com o seu ministério se ampliando, verificamos que a mensagem salvadora de Cristo ao mundo é completa. Inteiramente abrangente. Não somente atende à necessidade dos famintos como, também, dos sedentos. Assim como dissera à mulher samaritana que ele era a água da vida (Jo 4:10-14), aqui ele está afirmando que é, também, o pão da vida. Assim, eu e você, que já nos achegamos a Cristo, não mais temos fome ou sede de salvação. Ela já nos foi dada. Somos detentores dela. Saciados, então, desde que nele cremos, o Senhor acabou com a nossa fome e sede por salvação e vida eterna. Pela graça de Cristo, somos delas senhores. E, por isso mesmo, devemos levá-la àqueles que estão ao nosso redor.
Blogger criado para honra e glória do Deus Altíssimo e do Senhor Jesus Cristo, seu Filho, a fim de que resulte em edificação do seu povo e venha de ser oportunidade propícia para o Consolador convencer o mundo ... E, assim o mundo creia na grande misericórdia de Deus Pai através da sua maravilhosa graça. GRK-Geraldo Ribeiro Kruschewsky.
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