Texto Bíblico
João 4 e 5
Texto áureo
João 4:13,14
Nestes dois capítulos de estudo desta lição, Jesus chama atenção para a missão que veio realizar no mundo. No capítulo 4, dos versículos 31 a 38, e no capítulo 5, dos versículos 19 a 47, ele explana, claramente, o ministério que veio cumprir como Filho de Deus e Redentor dos homens. Em meio a estes discursos, três acontecimentos de marcante importância, ainda que distantes, geograficamente, um do outro: a conversão de uma aldeia samaritana (Sicar), e duas curas miraculosas, a do filho de um oficial do rei em Caná da Galiléia e a de um paralítico em Jerusalém. Para caminharmos com objetividade no estudo, vamos situar-nos em cada um desses momentos separadamente.
A CONVERSÃO DOS SAMARITANOS
Este episódio é narrado apenas por João. Os outros evangelistas não o mencionam, muito, provavelmente, por se referir a uma transformação ocorrida numa aldeia de samaritanos, o que para os judeus não era nada recomendável, tendo em vista a resistência que tinham eles a tudo que vinha de Samaria, em função do seu passado.
Dentro deste contexto é que devemos entender muito da história narrada nestes primeiros 30 versículos deste capítulo, e concluida nos quatro últimos. O que vai acontecer nesta cidade de Sicar, uma cidade de samaritanos, não aconteceu em nenhuma outra cidade por onde Cristo passou em seu ministério terreno. Praticamente, toda a aldeia vai se converter à mensagem do Senhor. Do diálogo de Cristo com aquela mulher samaritana verdadeiras pérolas teológicas podem ser retiradas. Os versículos 39 a 41 nos contam, então, sobre a grande transformação que ocorreu em Sicar. O que não aconteceu em Nazaré, em Cafarnaum, em Betânia ou em Jerusalém, cidades tipicamente judaicas, vai acontecer numa aldeia de infiéis e traidores, aqueles que renegaram a cidadania de Israel. Muitos creram pelo testemunho dela, a mulher samaritana primeiro e, depois, muitos outros vão crer pela palavra de Cristo. Ao final dos três dias ali passados, o testemunho que deixam no versículo 42 relata-nos um feliz fim da história.
A CURA DO FILHO DO OFICIAL DO REI
O episódio que João narra não tem correspondência nos demais Evangelhos. A história aqui descrita toma o título de cura do filho do régulo, ou do oficial do rei, sendo digna de destaque a insistência do homem para que Jesus descesse (Caná ficava nas montanhas, enquanto Cafarnaum estava à beira do Mar da Galiléia), a fim de curar o seu filho que estava enfermo. Diante da palavra do homem em 4:50, o Mestre lhe fala: "Respondeu-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe dissera, e partiu". O resto da história é bem conhecido. O oficial desceu de Caná e só vai chegar em sua casa em Cafarnaum no dia seguinte, quando seus servos o informam de que seu filho melhorara. Indagando a hora em que isto ocorrera, o oficial verifica que fora, exatamente, no momento em que, na véspera, à 1 hora da tarde, o Senhor lhe dissera: "o teu filho vive".
Muitas vezes, não temos esta predisposição tão resoluta em crer nas promessas do Senhor. Não que duvidemos delas, mas ficamos como que aguardando confirmações ou indicações de sua eficácia. Tais quais Gideão, ficamos aguardando o velo molhar-se ao orvalho. Tais quais Tomé, ficamos esperando ver e tocar as feridas do Mestre. O oficial do rei nos ensina muito. É "crer e descer" para ver, na arena da vida, a bênção de Deus se cumprir.
A CURA DO PARALÍTICO DE BETESDA
Uma das curas mais marcantes realizadas pelo Mestre é esta que ocorre junto à entrada ou poço das ovelhas, pois é isto, mais ou menos, que quer dizer o nome do local em que um paralítico há 38 anos se encontrava. Dizia a tradição que milagres ali ocorriam para a cura dos enfermos, mas ele, embora sempre ali se postasse, não a havia recebido ainda. Cristo vai realizá-la, de maneira miraculosa, e isto vai servir de base para uma das discussões mais acaloradas do Mestre com a classe dirigente dos judeus. De tal forma estava ela imbuida do propósito de ver o fiel cumprimento da lei que não se apercebia de que com a cura daquele homem, embora, aparentemente, houvesse um descumprimento da lei, algo de bom e de melhor resultara desta aparente desobediência. Principalmente, no caso da pregação de Cristo, eles ainda não tinham percebido que a graça sobrepujara a lei, que Jesus era maior que Moisés, por isso, não criam na cura nem no curador.
O legalismo exagerado os levou a este extremo. Em vez de se regozijarem por um irmão deles ter sido curado, depois de 38 anos de sofrimento, eles se preocuparam em saber quem tinha sido o responsável por tal "escândalo", isto é, ter ordenado a um judeu que trabalhasse no sábado. Seus olhos estavam de tal maneira presos no texto da lei que não se abriam para as maravilhas que estavam ocorrendo em decorrência da graça. Para eles a prioridade era a lei, crua e fria, sem o mínimo sentimento para a bênção graciosa que se manifestara na vida do ser humano. Devemos ter muito cuidado com este legalismo, porque, às vezes, por causa dele, esquecemo-nos de que a graça de Deus é maior do que tudo.
A SUA MISSÃO
Como já mencionamos, 31 a 38 do capítulo 4 e, principalmente, os 19 a 47 do capítulo 5, são um precioso repositório de informações sobre o relacionamento do Pai e do Filho na missão que a este foi delegada de ser o Salvador do mundo. Em poucas outras páginas no NT, veremos as doutrinas da antropologia (homem), da soteriologia (salvação), da escatologia (morte, juízo, céu, inferno) e da eclesiologia (igreja, reino), tão bem expostas quanto neste texto.
Alguns aspectos bem marcantes desta relação de Deus Pai e Deus Filho, em face do ministério terreno de Cristo, são clarificados pelos comentários que ele faz, razão pela qual o livro é tido como a "teologia de Jesus": (1) Pai e Filho se identificam na obra: "tudo quanto ele faz, o Filho faz"; (2) Pai e Filho trabalham na ressurreição: "o Pai levanta os mortos ... o Filho dá vida"; (3) Pai e Filho dividem o juízo: "o Pai a ninguém julga" (no sentido de que se o homem não crê em Cristo "já está condenado") ... "o Filho julga a todos" (no sentido universal do homem crer ou não crer); (4) Pai e Filho são dignos de honra: "quem não honra o Filho, não honra o Pai". Infelizmente, os judeus, por ficarem muito presos à lei, não percebiam esta graça, dai Jesus dizer-lhes quase ao final de sua argumentação (v. 39,40): "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdes vida".
CONCLUSÃO
No texto deste estudo, há uma afirmação do Senhor Jesus de excepcional valor. Vamos aproveitá-la para nossa conclusão. Ela está contida no versículo 24, e diz assim: "Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida". O que se destaca de impressionante valor e importância nesta afirmação de Cristo é, primeiramente, o imediatismo da salvação: aquele que crê, recebe-a prontamente. Não depende de outros intermediários ou providências secundárias: quem crê tem a vida eterna. Ponto final! Em segundo lugar, a sua garantia definitiva: quem crê não depende mais de julgamento. Não entra sequer em juízo. Já passou da morte para a vida!
Você tem esta garantia? Você já é titular desta vida eterna?
Blogger criado para honra e glória do Deus Altíssimo e do Senhor Jesus Cristo, seu Filho, a fim de que resulte em edificação do seu povo e venha de ser oportunidade propícia para o Consolador convencer o mundo ... E, assim o mundo creia na grande misericórdia de Deus Pai através da sua maravilhosa graça. GRK-Geraldo Ribeiro Kruschewsky.
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