sábado, 31 de maio de 2008

"Eu sou a RESSURREIÇÃO e a vida"

Texto bíblico
João 11 e 12

Texto áureo
João 11:25-26

A coincidência entre os eventos dos Evangelhos Sinóticos e o de João, começam a se efetivar a partir deste momento. Depois de outras vezes que João nos narra que Jesus estivera em Jerusalém, agora será na semana da páscoa, aquela em que o Cordeiro de Deus será entregue nas mãos dos seus executores. Cristo, agora, inicia a sua jornada para a cruz. Nesse momento em que, deixando a região das cercanias do Jordão, começa a subir em direção a Betânia, ele está, na realidade, começando a jornada do Gólgota, pois apenas lá é que ela cessará. Não há mais volta. O plano de redenção da humanidade aproxima-se do seu fim.

Sim, não havia mais o que esperar. O tempo estava contado. No relógio de Deus, o tempo da promessa se cumpria. Abraão já a vislumbrara pela fé. Moisés nela crera. Davi dela falara. João a anunciara. E, agora, o Cristo de Deus, o Senhor e Mstre, caminhava para a consumação do plano. Não precisava ocultar-se mais. Não precisava pedir que os salvos por ele não falassem aos outros sobre ele. Não, agora quando fosse levantado na cruz do Calvário, a glória de Deus se consumaria por inteiro, pois tragada foi a morte, vencido foi o pecado, condenado foi Satanás. Glória ao nosso Deus!

Quatro fatos se destacam no texto destes dois capítulos, dos quais vamos tirar alguns ensinamentos para nós.

A RECUPERAÇÃO DE UMA IMAGEM

Marta, a irmã de Lázaro e Maria, a família que hospedava Cristo em Betânia, não tem uma boa imagem, em geral, para os leitores dos Evangelhos. Recriminada por sua intromissão um tanto obsessiva em uma outra visita de Cristo, é vista sempre como uma personagem insensível à presença do Mestre, mais preocupada com os aspectos pecuniários do viver do que o de desfrutar espiritualmente daquela bênção. No entanto, no episódio relatado nos versículos 17 a 44, ele recupera a sua imagem de forma esplendorosa, pois, é ela quem vai ao encontro do Mestre (v. 20); é ela quem demonstra irrestrita confiança no Mestre (v.21,22); é ela quem evidencia crer na ressurreição dos santos (v. 24); é ela que, tal como Pedro revela a pessoa divina de Cristo (v. 27); é ela quem vai despertar Maria de seu torpor (v. 28); é ela, com sua mente aguda e pronta, vai alertar o Mestre para o tempo já decorrido da morte de Lázaro e, com isto, ensejar a Cristo a oportunidade de uma revelação que deve se constituir uma das mensagens mais presentes na vida cristã: "Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?" Sim, Marta permitiu-nos, com sua sempre pronta presença, receber de Cristo uma das promessas mais brilhantes para o nosso viver cristão. Sim, se crermos, eu e você, tais como Marta, Maria e Lázaro do passado bíblico, poderemos ver a glória de Deus, a bênção da alegria e da paz que só ele traz ao coração.

A REAÇÃO DOS ADVERSÁRIOS

Interessante que o impacto causado pela ressurreição de Lázaro, que só devia causar reações positivas e benévolas para todo o povo, vai ter um resultado, totalmente, diferente na mente dos adversários e oponentes de Cristo. A estes, a bênção da vida nova que um judeu havia recebido, Lázaro, o único arrimo de suas irmãs, a alegria que isto causara aos moradores de Betânia, a realidade maravilhosa do poder sobre a morte, que o Mestre que vinha de Nazaré provara, nada disso tinha valor em face de seus valores religiosos, tradicionais e arcaicos, fechados à vida nova que o Senhor trazia para o mundo.

Logo, a notícia da vida nova dada a Lázaro é levada a Jerusalém, onde estava instalada a elite religiosa. Em vez de se alegrarem com a nova, eles começam a temer, pelo seu poder e domínio que, diante da mensagem de Cristo, estavam em perigo. Acham que suas estruturas religiosas podem ser colocadas em dúvida, destruindo o acordo de convivência pacífica que conseguiram manter com o império romano, que dominava a Palestina na época. Por isso, em vez de se quedarem sobre o que representava para o povo de Deus a presença de um profeta que tudo indicava ser o Messias tão esperado, voltaram-se para os seus direitos, temerosos que estavam de perdê-los. Para almas empedernidas, distantes de Deus, aquilo que pode significar bênção se transforma em motivo de discórdia e vingança. Foi isto que aconteceu.

A REAÇÃO DOS AMIGOS

Inteiramente diferente é a reação da família e amigos de Lázaro. Em meio a tantas peocupações, pois todos mais ou menos sabiam o que esperava por Cristo em Jerusalém, o povo de Betânia e os discípulos de Cristo se regozijam com as bênçãos recebidas naquele dia. Podemos imaginar o cenário. Lázaro, ressurreto, volta para casa. Marta trata de dar "um jeito na casa", pois devia estar bem desarrumada depois dos últimos acontecimentos. Maria, alegre e feliz, resolve que devem fazer uma reunião, uma festiva recepção, pois Cristo ali estava, seu irmão estava redivivo, os discípulos, amigos, ali, também, se encontravam, tudo se somava, favoravelmente, para um alegre encontro.

Muitas vezes, não temos esta percepção de Maria, Marta e Lázaro. Cristo está ou não está em nossa casa? Se ele está em nosso coração, se ele é compartilhado com nossos queridos, ele deve ser presença marcante e sempre destacada em nosso lar. Por esta causa, devemos ter sempre motivos de regozijo e de festiva recepção em nossos lares. Jesus é o Senhor deles? O condutor de nosso viver? Então, como diz o salmista, "este é o dia que o Senhor fez, regozijemo-nos e alegremo-nos nele" (Sl 118:24).

A CHEGADA DE CRISTO EM JERUSALÉM

No dia seguinte ao jantar em Betânia, o Senhor subiu para Jerusalém. Sendo três quilômetros apenas de caminhada, logo ali chegaram. A notícia de sua estada naquela aldeia e o que ali fizera já repercutia na cidade santa. O alvoroço era grande, pois todos sabiam que ele resssuscitara a Lázaro, e até os seus discípulos perceberam depois que ele lhes anunciara isto quando lhe dissera que a morte de Lázaro seria algo para sua glorificação. A forma como recebem a Cristo já tinha sido de certa maneira profetizada no passado bíblico, como nos transmite o Salmo 125 (v. 26). Infelizmente, esta reação era a do povo humilde e simples, que cria na promessa de Deus e nas múltiplas manifestações que o Senhor Jesus, desde o início de seu ministério terreno, operara entre os pobres e os carentes de Israel.

Este episódio da vida de Cristo deve-nos levar a pensar. O ocorrido é um só: sua chegada a Jerusalém. No entanto, as reações a esta chegada são duas, completamente diferentes, antagônicas entre si. Uma declara a sua majestade divina, a outra reconhece o prejuizo que teriam com a aceitação que a pessoa de Cristo estava recebendo por parte do povo. Da mesma forma, podemos perguntar-nos: Qual a reação que a presença de Cristo está causando em minha vida e em sua vida? Estamos reconhecendo nele o Salvador e Senhor de nossa vida? Ou, tais como os fariseus, estamos sendo "incomodados" em nosso viver pelo que ele exige de santidade em cada dia a partir de então?

CONCLUSÃO

Os fatos que vão ocorrer nesta última semana, é que são os responsáveis pela chegada do evangelho aos nossos dias. Os discípulos verificaram que ele era o Filho de Deus, que morrera pelos nossos pecados, que vencera a morte, que voltara para estar com eles e que tudo aquilo que anunciara estava acontecendo e se comprovando. Diante disto, eles vão se tornar pregoeiros desta mensagem, levando-a a todos os rincões do mundo conhecido na época e preservando-a límpida e pura pelos séculos que viriam. Por isso, nós hoje cremos nela e somos responsáveis por levá-la adiante.

domingo, 25 de maio de 2008

Jesus me Transformou

RECEBI DO PRIMO GERALDO E ESTOU *ENCAMINHANDO PARA HONRA E GLÓRIA DE DEUS
PAI E DO SEU FILHO JESUS CRISTO É UM HINO DO* CC (CANTOR CRISTÃO) ADOTADO NO
MEIO DO POVO BATISTA, CLIQUE NO URL ABAIXO E OUÇA, MEDITE NA LETRA. LOGO
APÓS A LETRA LEIA A REFLEXÃO FEITA COM BASE NA LETRA:
*AUTOR:* James Rowe (01/01/1865 - 10/11/1933)
*MÚSICA:* Howard E. Smith (16/07/1863 - 13/08/1948)
*TRADUÇÃO:* Salomão Luiz Ginsburg
* HINO 46 DO CC: JESUS ME TRANSFORMOU*
Clique aquí:
Jesus me Transformou


sábado, 17 de maio de 2008

"EU SOU o bom pastor"

Texto bíblico
João 10

Texto áureo
João 10:14

Este capítulo do Evangelho de João é uma das mais belas expressões do amor e da companhia de Cristo àqueles que o seguem. João, somente ele, registra o que está contido aqui neste capítulo 10 até o versículo 21. Esta imagem de Cristo como o bom pastor, transmitida por ele mesmo, nos remete ao Salmo 23, e de uma forma harmônica e inspirada como só a Palavra de Deus nos pode tocar, somos como que levados a uma atmosfera de aconchego, amizade e conforto inigualáveis.

A relação ovelha-pastor é algo especial para os entendidos na pecuária ovina. Enquanto a relação boi-boiadeiro é de violência e impacto, sendo o gado bovino movimentado pelos gritos e azorragues dos seus condutores, que por trás do rebanho seguem açulando e azucrinando as reses para que elas caminhem, a do pastor-ovelha é totalmente diferente. O pastor vai à frente, muitas vezes, em determinadas culturas, tocando uma flauta ou cantando, com voz suave e cândida, e as ovelhas o seguem. É, portanto, uma relação de conhecimento, harmonia e obediência.

Do versículo 22 em diante, temos, então, a outra face da realidade do ministério de Cristo. Depois da comunhão e envolvimento fraterno, o confronto com os adversários, a luta contra a oposição da liderança religiosa de Jerusalém, encastelada em sua lei e tradições. Da riqueza de conteúdo do texto, vamos refletir sobre quatro verdades que podemos dele extrair.

JESUS, O BOM PASTOR

Neste Evangelho, Cristo, várias vezes, fala sobre a sua pessoa com um sentido de algo significativo para os seus discípulos. Já passamos sobre "eu sou a luz da vida", "eu sou a água viva", "eu sou o pão da vida", e outros "eu sou" virão ainda. Mas, neste pequeno texto de hoje, ele aborda, diretamente, dois outros significados para o ser humano, resultantes de sua vinda ao mundo, ambos de grande profundidade para todos nós. Estão eles registrados nos versículos 9 e 11:"Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e sairá, e achará pastagens." Vejam que sentido especial o texto nos traz! Ele não fala da porta do "que". Ele, simplesmente, é a porta. Para onde quer que queiramos trilhar a nossa vida, ele é a porta.Ou seja, é o caminho por onde devemos passar se queremos iniciar nossa vida profissional, formar o nosso lar, realizar nossa tarefa, filiar-nos a uma igreja. O significado desta porta é mais amplo ainda, se observarmos que por ela podemos entrar ou sair. Isto é, ele nos dá liberdade de trânsito, caso queiramos entrar por ela para encontrar paz, ou queiramos sair por ela para enfrentar a luta da vida. Mais ainda, entrando ou saindo por ela, nós encontraremos alimento, força, resistência, a "pastagem" de que ele fala.

Porém, a mensagem vai mais longe ainda em seu sentido de amparo e sustento, quando, além de ser ele a porta pela qual trilharemos os caminhos da vida, passando por ela, nós encontraremos sempre o bom pastor. Aquele que faz com que "nada nos falte, que nos conduz a pastos verdejantes, que guia a águas tranqüilas, que refrigera a nossa alma e que, preparando uma vida em paz para nós, nos leva, finalmente, a habitar com ele para sempre"(ver o Salmo 23).

A EXTENSÃO DESTE PASTOREIO

A dimensão do ministério salvífico que Cristo, pela vontade do Pai, veio implementar na terra, foi universal e intemporal. Isto é, foi realizado para salvar a todo ser humano em todo o tempo. Antes e depois dele. Na Palestina ou na Europa, no Japão ou na África, na Oceania ou na América. Não importam a época ou o local, Cristo veio para que todos encontássemos nele a salvação. Por isso, ele pôde dizer a seus discípulos (v.16) que teria outras ovelhas além daquelas que ali estavam. Outras viriam. Outras ouviriam a sua voz através dos séculos. E por meio desta relação que se estabeleceria entre ele, o Salvador vindo de Deus e a criatura humana, como Abraão e Moisés no passado. Pedro e João em seu tempo, eu e você hoje, um rebanho se formaria, um rebanho de um só pastor, Jesus, o Senhor.

Você já pensou nisto? Somos parte do rebanho de Cristo. Ele é o pastor; nós, as ovelhas. Ele é o Senhor; nós, os servos. Ele é o Salvador; nós, os salvos. Que, diante de uma realidade tão ampla como esta, nós nos tornemos dignos deste rebanho, ovelhas dóceis e confiantes, crentes que repousam no poder e no amor deste pastor que nos salvou e nos conduz.

UMA PERGUNTA SEM RESPOSTA

O Senhor tinha uma habilidade enorme para o debate. Sua técnica de argumentação, rebatendo as perguntas com outras perguntas, era tão inteligente que os judeus não sabiam como enfrentá-lo. Nos versículos 31 a 33 vemos mais um trecho em que diante de um momento difícil, pois os judeus ameaçam mais uma vez apedrejá-lo, ele vai transferir o palco de discussão para outro nível, fazendo com que se esqueçam das pedras e continuem a discussão.

Tudo acontece quando Cristo afirma: "eu e o Pai somos um". Esta identidade divina que ele assumia com o Senhor Deus era por demais ofensiva para os incrédulos judeus. Eles vinham seguindo o Mestre desde o início de seu ministério. Sabiam que ele havia curado a muitos, alimentado multidões, dado vista aos cegos, feito paralíticos andar mas, ainda assim, não criam. Os seus corações estavam fechados para receberem Cristo como Salvador e Senhor. Diante dessa disposição deles em agredí-lo, o Senhor vai, então, fazer-lhes uma pergunta inquietante:"por qual dessas obras ides apedrejar-me?"

Naquele instante, deve ter passado pela cabeça deles: que obra ruim este pretenso Filho de Deus fez? Só temos notícias de coisas boas: curou, alimentou, salvou. Como vamos apedrejá-lo, quando não há por que recriminá-lo pelas obras que realizou? Tinham visto as pessoas curadas. Ouviram, por certo, o testemunho dos que foram alimentados por ele. Dialogaram com o cego que teve a visão restituida. Ou seja, pelas obras dele, não havia como incriminá-lo. Eram obras dignas do Deus que pregavam, mas não conheciam. Muitas vezes, em nossa vida, esquecemo-nos de que, mais do que conhecer a história que a Bíblia nos revela, devemos conhecer o Deus da história.

A CONSTATAÇÃO DO POVO HUMILDE

Enquanto, mais uma vez, os judeus tentaram aprisioná-lo sem o conseguir, Jesus sai de Jerusalém e dirige-se a Betânia. Esta era uma aldeia que ficava a cerca de 3 quilômetros de Jerusalém, numa das vertentes oeste das colinas que conduziam à cidade santa. Era ponto de passagem para quem saia ou entrava de Jerusalém na direção do Rio Jordão, onde João batizava. Pelo visto, enquanto aguardava os acontecimentos que precediam o climax do plano que o Pai estabelecera, ficou por ali algum tempo, preparando os seus discípulos e atendendo aos que o procuravam. Foi quando muitos o procuraram (v.41) para afirmar que "João, na verdade, não fez sinal algum, mas tudo quanto disse homem era verdadeiro". Sim, os que o seguiam podiam constatar a verdade das palavras de João. Cristo era maior do que ele. Cristo era o cordeiro de Deus. Cristo era aquele que tiraria o pecado do mundo. João não era digno, sequer, de desatar as alparcas dos seus pés. Importava que o Senhor crescesse e que João diminuisse, pois ele nada mais foi do que a voz que anunciava a chegada do rei.

CONCLUSÃO

Cristo, neste capítulo de excepcional ternura em seu início, coloca-se para nós e para todos os seus discípulos, de todas as épocas, como a porta do aprisco, o lugar de refúgio e segurança do rebanho. Como ele conta isto em termos de parábola, seus discípulos, naquele momento, não vão entender muito bem o que lhes comunica nos primeiros seis versículos do capítulo, daí a repetição mais clara que faz no versículo 7:"Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes:Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas".

Sim, ele é a porta na qual todos batemos em busca de companhia e paz. Ele vai dizer mais tarde:"no mundo tereis aflições". Pois bem, o que ele quer dizer é que, tal como a ovelha, que ao final do dia procura a porta do aprisco, o portão do seu curral, para ali se abrigar do perigo da noite lá fora e aquentar-se do frio da madrugada, o discípulo deve procurá-lo para, por meio dele, encontrar a paz, a segurança e o amor que só este portal espiritual pode pode transmitir.

sábado, 10 de maio de 2008

"A verdade vos LIBERTARÁ"

Texto bíblico
João 8 e 9

Texto áureo
João 8:31-32


O tempo do confronto vai chegar, segundo a narrativa de João. Como o seu Evangelho não obedece à cronologia dos eventos registrados nos Sinóticos, não podemos precisar, exatamente, quando estes fatos estarão ocorrendo, embora possamos depreender que devam ter se dado em meio ao seu ministério, um a um ano e meio antes de sua morte e ressurreição. Aliás, João é o único dos evangelistas que nos apresenta essas diversas visitas de Cristo a Jerusalém.

Estes dois capítulos nos apresentam Cristo em uma dessas idas a Jerusalém, enfrentando a oposição no templo e realizando os milagres do perdão e da cura, daí o título da lição de hoje. Estes fatos vão se dar em três momentos diferentes:

Primeiro, por sua atitude de negação da lei judaica diante de uma mulher pecadora (8:1-11);
Segundo, por seu discurso acusador em face das autoridades religiosas (8:12-59);
Terceiro, por causa da cura desafiadora que faz de um cego de nascença (9:1-41).

A MULHER PECADORA E A AUTORIDADE DE CRISTO

A cena descrita neste texto é uma das mais dramáticas da narrativa dos Evangelhos. O castigo infligido à mulher acusada de adultério na sociedade judaica era algo selvagem e desumano. Vinha dos tempos do Antigo Testamento. A vítima era arrastada pela rua, "jogada aos trancos e barrancos" como hoje se diz. Todos tinham o direito de chutá-la, pisar ou cuspir nela, até chegar ao lugar do apedrejamento. Aí, então, é que a coisa deveria começar mesmo, pois todos, também, tinham o direito de atirar a sua pedra ou mais. Ela deveria morrer apedrejada. O sofrimento era terrível, pois só quando uma pedra atingia a cabeça em área delicada, a vítima deveria desfalecer. Enquanto isto não acontecesse, ela sofria horrivelmente com as pedradas que a atingiam nos braços, no dorso, no tórax, nas pernas, em todo o corpo, enfim.

É a este quadro que lançam o Mestre. A mulher, inocente ou não, a história não nos é contada, se vê jogada aos pés do Senhor Jesus. A reação dele é incompreensível. Aparentemente, não se deixa impressionar com o quadro trágico, continuando alheio ao problema que lhe trazem como se nada lhe dissesse respeito. Passa até a fazer de contas que estava escrevendo algo sobre a terra do solo. Sua pergunta, tranqüila e silenciosa inquisição aos acusadores - "Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra" - é de tal peso moral e espiritual que os homens, além de não atirarem uma pedre sequer, reagem de forma inusitada, retirando-se um a um do local da cena.

A autoridade de Cristo era impressionante. Mesmo sendo questionado pelos judeus, quando faz tal desafio, eles o temem a tal ponto que nenhum deles, mesmo o mais leviano dos acusadores, atira a sua pedra. Por certo, o coração daquela mulher havia sido aberto por Cristo, que via nela uma alma frágil, pecadora, mas temente a Deus e carente de perdão. Por isso, o Senhor vai lhe perdoar o pecado e apenas exigir-lhe, então: "Vai-te, e não peques mais".

A PALAVRA ACUSADORA E QUESTIONADORA

O texto que temos diante de nós é de confronto (8:12-59). Digamos que o Senhor Jesus se apercebia, pelo plano do Pai, que as coisas se ultimavam para o seu sacrifício. Verdades que estavam sendo transmitidas de forma implícita em seus discursos precisavam agora, ser expostas mais claramente. Ele vai assumir, neste texto que lemos, a sua filiação divina. Vai fazê-lo porque, pela presciência do Pai, sabia que "a sua hora" ainda não estava iminente (v. 20), mas que se aproximava com rapidez.

A pregação de Cristo torna cada vez mais tenso o debate com os líderes religiosos. Dada a falta de sensibilidade espiritual daqueles homens, de tal forma amarrados à lei que não podiam perceber a diferença de Cristo diante de todo o passado histórico do povo de Deus, passado este pelo qual demonstravam tanto zelo, o Mestre vai ser obrigado a ser cada vez mais contundente em suas palavras, a fim de tentar despertar-lhes a verdade. A discussão chega ao clímax quando se coloca maior que a grande personagem bíblica, para os judeus. Para eles, Abraão, o chamado pai da fé, o pai da nação israelita, não podia ser menor que um vulgo "mestre" vindo da Galiléia dos gentios, filho de um carpinteiro, sem formação reconhecida, trazendo atrás de si meia dúzia de rudes discípulos. Eles vão se insurgir contra a afirmação de Cristo com a tentativa de escorraçá-lo, o que não vão conseguir, pois, mais uma vez, tal como em Cafarnaum, o Senhor vai deixá-los em oculto, sem que o percebam. O que fica para nós do texto é que a pregação do evangelho em determinados momentos e ambientes, precisa ser feita com certo impacto, pois só assim é que alma rebelde vai vislumbrar a verdade salvadora.

O CEGO DE NASCENÇA E A CURA INUSITADA

Eis um dos episódios bíblicos de mais difícil compreensão à mente do homem da pós-modernidade. Mesmo aos crentes experimentados e veteranos, a dificuldade para entender o fato se apresenta: Que cura mais esquisita! - comentamos. Se ele curou alguns simplesmente pelo falar, por que, no caso deste cego em Jerusalém, o fez desta forma que, poderíamos dizer, é totalmente anti-higiênica e contrária a qualquer princípio sanitário? Misturar cuspe e terra para fazer uma espécie de emplastro e, com ele, lambuzar os olhos do cego? - mencionamos, alguns até expressando no rosto um certo asco.

No entanto, lembremo-nos, estamos falando de outros tempos. Cerca de 20 séculos nos separam daquela cura maravilhosa. Há registros históricos que nos apontam a crença, na época, para o poder curativo tanto da saliva (a fonte da vida, pois brotava do interior do próprio indivíduo) quanto da terra (a força motora com seu poder de fazer brotar e germinar). Tácito, Suetônio e Plínio, historiadores romanos, citam situações em que algo assim teria acontecido. Portanto, não era uma novidade ou um novo modismo que o Senhor Jesus estava introduzindo. Por que o fez? Isto, sim, é o "x" da questão.

Cristo o fez porque precisava provar a fé daquele homem. Não foi a saliva nem o lodo feito com a terra que curou o cego e, sim, o que aconteceu quando "disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa Enviado). E ele foi, lavou-se, e voltou vendo" (João 9:7). O que curou o cego foi a sua fé no Senhor Jesus. Podemos imaginá-lo, titubeante e cambaleante, tentando encontrar o caminho até o tanque, onde chegou, por certo, com o auxílio de alguém, na certeza de que, quando tirasse o lodo com que o Senhor untara os seus olhos, ele estaria vendo. Porque assim cria, assim aconteceu. Logo que limpou os olhos, ele, que nunca vira, teve os seus olhos abertos. Ele precisou apenas crer para ver! Enquanto muitos de nós, tais como Tomé vai afirmar mais tarde, precisamos ver para crer.

CONCLUSÃO

A atitude deste cego, após a transformação que ocorrera em sua vida, é notável. Com firmeza e até com certa ironia enfrenta a desconfiança dos líderes religiosos ("Se é pecador, não sei... O que sei é que era cego, e agora vejo"). Cristo muda a nossa vida também. Este cego de 2000 anos atrás tem uma reação tão espontânea e natural quanto a do homem do nosso século, que diante de todo o seu passado de erros e maldades, convertendo-se, afirma diante da igreja: Uma coisa eu sei: eu até ontem era pecador e mau, mas hoje sou uma nova criatura por Cristo, que me salvou! Eu já ouvi isto em sessões de profissão de fé em nossas igrejas e, por certo, os leitores, também, já o ouviram. Uma resposta tão objetiva e direta assim só sai do coração daquele que, recebendo Cristo em sua vida, conclui que o pecado e o mal não mais prevalecem em seu viver cristão a partir de agora: "Eu era cego, e agora vejo!"

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Ano 03 - Semana 18 - 09/05/2008

Dia das mães - O sonho de Anna Jarvis

"O amor de uma mãe é diariamente novo" - Anna Jarvis

Embora a idéia de se separar um dia para homenagear as mães sempre tenha existido em diversas culturas, o nosso dia das mães (no segundo domingo de maio) é algo relativamente recente, surgido no ano de 1910, nos Estados Unidos da América, pelos esforços de uma jovem filha de um pastor chamada Ana Jarvis.
Ana havia perdido a sua mãe no ano de 1905 e entrado em grande depressão. Algumas de suas amigas, preocupadas com o seu estado resolveram organizar uma festa para perpetuar a memória de sua mãe. Ana resolveu então estender a homenagem a todas as mães. Nos anos que se seguiram ela se dedicou a oficializar o Dia das Mães. O seu estado, a Virgínia Ocidental, foi o primeiro a oficialmente incorporar esta data em seu calendário, no ano de 1910, sendo logo imitado por outros estados.
Em 1914, o presidente americano Woodrow Wilson, unificou as comemorações estaduais, estabelecendo o segundo domingo de maio como o Dia Nacional das Mães. No Brasil, a data foi oficializada pelo presidente Getúlio Vargas no ano de 1932.
Atualmente mais de 100 países celebram o dia das mães. No entanto, essa data vem perdendo o seu sentido original e cada vez mais se torna uma festa do comércio. A data é uma das mais lucrativas para os comerciantes, perdendo apenas para o natal.
Quando Ana idealizou essa celebração, a sua intenção era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais. Dizia que as pessoas não tem o costume de agradecer o amor das que recebem das mães, e que "O amor de uma mãe é diariamente novo". Ela passou toda a sua vida militando nessa causa. Mas o dia das mães para ela se tornou uma data triste.
Ao ver a deturpação de seu sonho, transformado numa comercialização sem fim, Ana passou a lutar pelo cancelamento da data. "Não criei o dia das mães para ter lucro", dizia ela.
Hoje somos pressionados a celebrar o dia das mães comprando presentes, como se essa fosse a única homenagem que um filho poderia dar. Ao vermos esse distanciamento do valor familiar do dia das mães nos perguntamos: é certo a igreja de Jesus participar disto?
Leia a matéria na íntegra...

sábado, 3 de maio de 2008

"Tu és o Santo de Deus"

Texto bíblico
João 6 e 7

Texto áureo
João 6:67-69



O título da lição deste domingo se deve ao fato de que, nestes dois capítulos, o Senhor Jesus exerce um ministério quase que ambulante. Em diversos momentos, vamos ver que ele se desloca de um lado ao outro da região do Mar da Galiléia, chegando, finalmente, até a Judéia em Jerusalém, para levar a todas as gentes a sua mensagem salvadora.

O Mar da Galiléia, como é chamado usualmente no NT, é o mesmo Mar de Genezaré (palavra aproximada do Quinerete como era chamado nos tempos do AT), ou Mar de Tiberíades, em homenagem ao imperador romano da época, Tibério. Ele está situado cerca de 212 m abaixo do nível do mar, sendo uma espécie de alargamento do Rio Jordão, com cerca de 18 quilômetros de comprimento (tem a forma de uma pêra), e 13 quilômetros de largura. Diferentemente do Mar Morto, mais ao sul, onde morre o Jordão, a mais de 400 m abaixo do nível do mar, suas águas são muito piscosas, razão por que o comércio da pescaria se espalhava por todas as cidades por ele banhadas.

Esta região vai ser abençoada pelo ministério de Cristo, pois, pelo menos quatro grandes eventos aí se dão.

A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES E PEIXES

A narrativa de João 6:1-15 nos apresenta mais uma vez o poder do Senhor sobre a matéria. O que já houvera feito quando em Caná transformara qualitativamente água em vinho, agora, vai fazer transformando, quantitativamente, poucos pães e peixes em inúmeros pães e peixes. De certa forma, a lição básica do poder dele já é, plenamente, aceita por nós que o vemos como Filho de Deus, possuidor de todo o poder para tal. Existem, no entanto, outras lições muito interessantes que podemos retirar do texto. Por exemplo:
a) Sua atenção para com a necessidade do povo. Impressionante como ele percebe que aquela multidão carecia de cuidados. Na sua grandeza divina, poderia passar-lhe despercebido isso, mas ele era sensível ao sofrimento, dor e angústia dos que estavam ao redor. Quantas vezes nos falta este mínimo sentimento de compaixão e solidariedade para com os necessitados que temos ao nosso redor;
b) A insensibilidade dos discípulos. Mesmo sentindo o problema dos demais (fome, desabrigo), não foram capazes de pensar em como atender à necessidade do povo em volta. Muitas vezes, mesmo na igreja, temos pessoas à nossa volta carentes de atenção e não nos voltamos para eles;
c) O desprendimento do rapazinho. Sim, admirável isto. Ele tinha o seu problema resolvido. Fora previdente e ali estava com seu lanche de cinco pães e dois peixes. Vieram para "tomá-lo" e distribuí-lo para milhares de pessoas? Você não ficaria desconfiado disso? Mesmo assim, ele abriu mão e nos deu com seu gesto um exemplo de dedicação anônima extraordinária.

O PODER DE JESUS SOBRE A NATUREZA

Um dos milagres ou sinais mais notáveis expressos por Cristo em seu ministério terreno foi este. Andar sobre o mar é algo que até hoje desafia o entendimento de ateus e céticos no poder maior que ele possuia. Como lemos no texto (6:16-21), Cristo estava no lado d'além Jordão quando da realização do milagre da multiplicação dos pães. Isto seria a Peréia ou a região chamada de Decápolis. Ao final do dia, ele envia por mar os seus discípulos de volta ao lado d'aquém Jordão, à Galiléia dos gentios, à cidade-base de seu ministério iniciante, Cafarnaum.

Como eles teriam remado cerca de 25 a 30 estádios, podemos presumir que estavam mais ou menos no meio da travessia, cerca de 6 quilômetros, pois cada estádio equivalia a 200 metros. Jesus, por certo, os enviara à frente para ficar a sós enquanto orava (outros evangelhos registram isto). Como eles iniciaram a viagem ao cair da tarde, podemos supor que, ao final da noite (meia-noite), ele foi ao encontro dos discípulos para chegarem juntos, de barco, a Cafarnaum na manhã seguinte. Foi quando eles, os discípulos, "...viram a Jesus andando sobre o mar e aproximando-se do barco..." Eles ficam até assustados com o inusitado da cena, mas Cristo os acalma e eles podem então testemunhar que o Mestre tinha poder sobre a matéria (água, pães, peixes), que eles já tinham visto, mas agora presenciaram seu poder sobre a natureza. E muito mais eles ainda veriam.

DOIS SERMÕES DE JESUS, UM EM CAFARNAUM E O OUTRO EM JERUSALÉM

Estes dois capítulos nos registram dois dos mais poderosos sermões de Cristo. O primeiro, quando em Cafarnaum, na sinagoga, ele, sabendo que muitos tinham percebido a forma misteriosa como chegara de volta, pois sabiam que ele não havia embarcado com os discípulos e, também, tinham presenciado o sinal da multiplicação dos pães, fala sobre ele como o pão da vida (6:22-59). O sermão é duro e forte para a mente legalista dos judeus, abordando a diferença entre o maná que ele simbolizava agora para Israel. O segundo, quando por insistência dos seus irmãos resolve ir a Jerusalém para a festa dos tabernáculos. Ali, ele se dirige ao templo e dentro da cidadela do farisaísmo e judaísmo mais renitentes, proclama um dos sermões mais corajosos e objetivos, apresentando-se como o Filho de Deus, o enviado do Pai (7:14-44).

Hoje, precisamos ter esta coragem para testemunhar do evangelho. De tal maneira os valores têm sido pervertidos pela sociedade que proclamar diante do mundo o que é certo torna-se um desafio para o crente, que precisa enfrentar tais situações com firmeza e destemor.

A REAÇÃO DE PEDRO E DOS GUARDAS QUE FORAM PRENDÊ-LO

No texto de 6:60-71, temos a reação dos que ouviam a mensagem de Cristo. Embora muitos se sentissem abençoados pela graça salvadora que ele apresentava e vivia, outros se ressentiam de suas acusações contra o legalismo e a exigência de uma vida nova. Por esta causa, até mesmo alguns dos seus seguidores se retiram. É quando Pedro, de forma esplêndida, dá um testemunho que parte do fundo de sua alma intempestiva mas sincera e espontânea: "Senhor, para quem iremos nós?... tu és o Santo de Deus". Muitas vezes, não temos esta disposição de identificar-nos com o nosso Senhor e Salvador diante do mundo ao redor, com este mesmo vigor e coragem.

No texto de 7:45-52, temos a reação maravilhosa e convicta dos guardas que foram inviados pela classe dirigente para o prenderem. Eles ouviram o Mestre, pensaram em suas palavras, em como tirar delas motivos para a sua prisão. Não encontrando nenhuma razão para tal, voltam e declaram de maneira estonteante para os principais sacerdotes e fariseus: "Nunca homem algum falou assim como este homem". Sim, Cristo fala ao coração do ser humano de maneira especial e muito pessoal. Ele transforma a nossa vida. Ele nos impressiona com o seu falar, assim como impressionou aqueles rudes soldados que sequer o tocaram. Você já ouviu a voz de Cristo em seu coração?

CONCLUSÃO

Com o seu ministério se ampliando, verificamos que a mensagem salvadora de Cristo ao mundo é completa. Inteiramente abrangente. Não somente atende à necessidade dos famintos como, também, dos sedentos. Assim como dissera à mulher samaritana que ele era a água da vida (Jo 4:10-14), aqui ele está afirmando que é, também, o pão da vida. Assim, eu e você, que já nos achegamos a Cristo, não mais temos fome ou sede de salvação. Ela já nos foi dada. Somos detentores dela. Saciados, então, desde que nele cremos, o Senhor acabou com a nossa fome e sede por salvação e vida eterna. Pela graça de Cristo, somos delas senhores. E, por isso mesmo, devemos levá-la àqueles que estão ao nosso redor.